Quarta, 17 Junho 2020 18:26

Paraninfa de jovens advogados, Rita Cortez defende classe politicamente esclarecida

Paraninfa de 60 bacharéis, em sua maioria, mulheres, que após aprovação no Exame de Ordem receberam as suas carteiras digitais numa solenidade virtual realizada pela OAB/RJ nesta quarta-feira (17/6), a presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, aconselhou: “Sejam éticos, críticos e cordiais com os colegas, mas não sejam alienados políticos, pois as relações jurídicas também são políticas”. A solenidade foi conduzida pelo presidente da Seccional, Luciano Bandeira, que afirmou: “Vocês são a renovação e a continuidade desta profissão tão nobre que é a advocacia”. O Termo de Compromisso foi lido, em nome de todos os bacharéis, pelo deputado federal, e agora também advogado, Glauber Braga (Psol/RJ), atualmente no seu quarto mandato.
Na sua manifestação, Rita Cortez reforçou a importância de que os advogados sejam politicamente esclarecidos. “Como disse o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, o pior analfabeto é o analfabeto político, que não ouve, não fala, não participa da vida política e não sabe o preço do feijão”, citou a presidente do IAB. Segundo a advogada, o dramaturgo também disse que “a ignorância política gera o político vigarista, o menor abandonado e o lacaio de empresas, entre outros”.

Rita Cortez agradeceu pela “honra e alegria” de participar da solenidade como paraninfa, contou um pouco da história do IAB, fundado em 1843, e comentou o momento enfrentado pelo Brasil. “É praticamente impossível não se sensibilizar com a atual situação do País, que já tem mais de um milhão de infectados pelo coronavírus e quase 50 mil mortos”, lamentou. Ela esclareceu que fazia o comentário em respeito às famílias dos que morreram na pandemia e em homenagem aos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à doença.

A presidente também falou sobre o papel da advocacia na crise. “Em momentos de crise como este, em que a crise é sanitária, econômica e política, o Direito se faz necessário”, afirmou. Segundo Rita Cortez, “só há liberdade e democracia se houver respeito à Constituição Federal”. Ela aconselhou os novos profissionais a se “capacitar e aprimorar, permanentemente” e destacou que “a advocacia é a salvaguarda dos princípios constitucionais”.