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2025/2028

Trajetória intelectual e pessoal de Rui Barbosa é abordada em evento do IAB

Da esq. para a dir., no alto, Rita Cortez, Bruna Martins e Ariel Engel Pesso; embaixo, Marcos Pascotto Palermo, Eduardo Benevides e Paulo Joel Bender Leal

Os anos de formação jurídica de Rui Barbosa, entre 1866 e 1870, foram fundamentais para a construção de sua trajetória intelectual posterior. Esta é a hipótese apresentada pelo professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Ariel Engel Pesso, durante o evento Aspectos históricos da trajetória de Rui Barbosa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, promovido pelo Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) nesta sexta-feira (18/9).

Ao apresentar a pesquisa Rui Barbosa estudante: sua formação intelectual nas Faculdades de Direito do Recife e de São Paulo (1866-1870), Pesso explicou que o estudo busca compreender como aquele período contribuiu para a formação do jurista. “Essa etapa foi fundamental para sua trajetória posterior, em função das leituras realizadas, de sua atuação política e das relações por ele travadas”, comentou.

Pesso dividiu a análise da passagem de Rui Barbosa pelas academias entre os dois primeiros anos cursados no Recife e os três seguintes em São Paulo. A formação intelectual é tratada ainda a partir da relação de Rui Barbosa com os livros. A pesquisa dedica uma etapa específica à biblioteca do então estudante, considerando suas possibilidades financeiras e de acesso às obras, e organiza suas leituras entre livros, periódicos, autores e trabalhos esparsos. A proposta, ao reunir esses elementos, é compreender a experiência universitária para além do currículo e investigar como estudos, leituras e relações pessoais participaram da formação intelectual de Rui Barbosa.

Na abertura do evento, a presidente nacional do IAB, Rita Cortez, destacou que a entidade tem se dedicado a promover debates de relevância para a comunidade jurídica. “Principalmente aqueles que falam sobre a história do Direito e de grandes personalidades da nossa área, como é o caso de Rui Barbosa”, completou a advogada.

A presidente da Comissão de História, Sociologia e Antropologia do Direito, Bruna Martins, também fez uma saudação aos presentes. Ela celebrou o sucesso dos últimos encontros promovidos pelo grupo, enquanto o secretário da comissão, Marcos Pascotto Palermo, enfatizou a qualidade técnica dos palestrantes. “Reunimos dois pesquisadores da vida de Rui Barbosa que, juntos, conseguem estabelecer uma linha cronológica da vida e do trabalho dele”, afirmou o advogado.

Discurso – Na visão de Eduardo Benevides, Oração aos moços pode ser compreendida como o testamento político de Rui Barbosa, no qual o jurista transforma o balanço de sua própria trajetória em um chamado para que as novas gerações participem da vida pública. Escrito para os formandos de 1920 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, o discurso não pôde ser apresentado pessoalmente por Rui Barbosa em razão de seus problemas de saúde e acabou lido pelo professor Reinaldo Porchat. No texto, Rui faz um balanço de sua trajetória como advogado, jornalista e político e, conforme destacou Benevides, chega a defini-lo como “o testamento da minha carreira”.

Segundo o palestrante, uma característica recorrente do pensamento do jurista era dirigir suas reflexões simultaneamente a dois públicos: “Uma das tônicas da perspectiva de Rui Barbosa é fazer uma prospecção, ou seja, ele fala sempre para quem o assiste naquele ato e para o futuro”. Essa perspectiva aparece, explicou Benevides, especialmente na relação de Rui com a juventude. “Sua preocupação, como podemos observar, é sempre em excitar os mais jovens para que eles participem do processo político e se integrem às transformações sociais”, destacou.

Ao analisar Oração aos moços, Benevides lembrou ainda as condições de saúde enfrentadas por Rui Barbosa no período em que preparava o texto. “Pode ser que se creia que Rui Barbosa assumiu esse compromisso de ser paraninfo em um estado de pleno gozo de saúde”, observou, antes de relatar que o jurista chegou a trabalhar na preparação do discurso enquanto estava doente.

Durante a palestra, Benevides recorreu a trechos do próprio Rui Barbosa também para confrontar algumas imagens que posteriormente se consolidaram sobre o jurista. Entre elas, citou a narrativa de que Rui trabalhava excessivamente à base de café, embora, segundo o relato apresentado, ele próprio afirmasse não consumir a bebida. “Procuro desmistificar a personagem de Rui que criaram, usando o próprio Rui”, explicou Benevides. A proposta, segundo ele, é recorrer aos escritos do jurista para distinguir sua trajetória e suas próprias palavras das representações construídas posteriormente em torno de sua figura.

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