Quinta, 10 Junho 2021 22:28

‘O maior fator de abandono da advocacia pelas mulheres são os compromissos familiares’, diz Rita Cortez 

A convite da presidente em exercício da OAB/AM, Grace Benayon, a presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, participou de uma live no Instragram, na noite desta quinta-feira (10/6), sobre O papel político da mulher nas instituições jurídicas. “‘O maior fator de abandono da advocacia pelas mulheres são os compromissos familiares, sobretudo por conta do sentimento de culpa que as atinge, em decorrência do afastamento do lar para o exercício da profissão”, afirmou Rita Cortez. Segundo a advogada trabalhista, “os maridos têm que apoiar as suas companheiras, dividindo igualmente com elas as tarefas familiares e domésticas, que também são deles”. 
Na abertura da live, a advogada amazonense destacou a atuação de Rita Cortez à frente do IAB. “A representatividade feminina é fundamental, e a advogada Rita Cortez, segunda mulher a presidir o Instituto, tem cumprido essa missão com muita competência e elegância”, afirmou Grace Benayon, primeira mulher a presidir a seccional amazonense. A presidente do IAB, que se tornou também a primeira mulher reeleita na história da entidade, comentou as dificuldades enfrentadas há mais de um século pelo movimento feminino para a ocupação dos espaços. “A advocacia sempre teve um perfil preponderantemente masculino, o que não se modifica de uma hora para a outra”, afirmou.  

Rita Cortez comentou os obstáculos superados pela primeira mulher advogada do País: “Myrthes Campos levou muito tempo para conseguir exercer a profissão, pois se formou em Direito em 1898, mas obteve a autorização somente em 1906”. A advogada trabalhista valorizou a paridade de gênero conquistada pelas mulheres junto ao Conselho Federal da OAB, em 2020. Conforme a decisão, nas próximas eleições da Ordem, no final deste ano, a formação das chapas deverá obedecer ao critério de 50% para candidaturas de cada gênero, tanto para titulares quanto para suplentes. “É, sem dúvida, uma grande conquista”, comemorou. 

Rita Cortez, no entanto, reconheceu que há muita luta pela frente. “Ainda hoje, falar da agenda das mulheres, que envolve direitos humanos e a dignidade da pessoa humana, é tratar de vitórias e dificuldades, como, de um lado, o crescimento do empoderamento feminino e da ocupação do espaço político, e, do outro, a desigualdade de oportunidades e a violência doméstica”, afirmou a presidente nacional do IAB, que ressaltou: “Pelo menos, temos hoje muito mais mulheres na política do que décadas atrás”.