Sábado, 28 Março 2020 12:44

‘A crise não pode ser pautada em interesses meramente econômicos’, afirma Rita Cortez

Em manifestação gravada em vídeo, na tarde da última quarta-feira (25/3), ao final da votação e início da apuração dos votos na eleição para composição da Diretoria no biênio 2020/2022, a presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, criticou a postura do governo federal frente à crise decorrente da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). “A crise não pode ser pautada em interesses meramente econômicos, mas com o objetivo de salvar vidas, sob todos os aspectos, tanto no que tange à saúde, como no que tange à sobrevivência das pessoas”, afirmou Rita Cortez.
Clique aqui para assistir ao vídeo. 

Segue abaixo a transcrição na íntegra da manifestação da presidente nacional do IAB.

Meus amigos e minhas amigas, associados do Instituto dos Advogados Brasileiros, boa tarde!

Neste momento. Neste exato momento, estamos procedendo ao encerramento da votação e da apuração da eleição de 25 de março de 2020, para composição da Diretoria no biênio 2020/2022.

Esta eleição se reveste de uma especial importância, em razão da grave situação vivida no Brasil e no mundo, por conta dos efeitos do coronavírus, que não só adoece, mas ceifa a vida de inúmeras pessoas, principalmente dos nossos idosos.

A pandemia não só repercute na saúde e nos procedimentos sanitários do nosso dia a dia. Ela impacta a economia mundial, agravando a situação de pobreza de milhares de pessoas, inclusive de nós, brasileiros.

A exclusão é demográfica, é social, até porque a pobreza aguda é um obstáculo instransponível ao atendimento dessas pessoas pelo sistema público de saúde e acesso às medidas sanitárias.

A crise não pode ser pautada em interesses meramente econômicos, mas com o objetivo de salvar vidas, sob todos os aspectos, tanto no que tange à saúde, como no que tange à sobrevivência das pessoas.

O Poder Executivo não consegue responder às expectativas e parece não querer entender que, só com a injeção de muitos recursos financeiros pelo Estado, é que conseguiremos garantir renda para trabalhadores formais e informais. Isto, neste momento, é primordial.

O senhor presidente da República não é o único irresponsável quando nega a extensão do problema, indo de encontro ao prognóstico de cientistas e especialistas. A irresponsabilidade também é nossa, de não nos contrapormos a uma política econômica que, em nome do ajuste fiscal, despreza a situação de miserabilidade do povo.

O presidente da República, simplesmente, enaltece a fala de determinados empresários, quando afirmam que o Brasil não pode parar por conta de cinco ou sete mil mortos, ou que as possíveis mortes que virão não poderão atrasar a economia brasileira.

O resultado desse tipo de pensamento nós já vislumbramos nas ruas da cidade ocupadas hoje por uma legião de pessoas sem qualquer perspectiva. Precisamos que o IAB se fortaleça cada vez mais e que se junte a outras entidades da sociedade civil para oferecer alternativas, inclusive jurídicas.

O distanciamento sanitário não pode ser um óbice ao nosso convívio, ainda que a distância. O Instituto sempre esteve presente nas ocasiões mais dramáticas do Brasil e nas lutas históricas para superação. 

Então, portanto, nós temos muito ainda a contribuir. Vamos tentar criar condições tecnológicas para promovermos reuniões das comissões. Até porque, material para discussão e debate nós temos de sobra. 

Precisamos pensar e analisar as medidas baixadas, para que não surjam outras que ampliem conteúdos autoritários, como, por exemplo, as restrições na Lei de Acesso à Informação.

São alternativas que poderão nos manter ativos e solidários neste período, e ter a sensação de que realmente juntos vamos ganhar esta guerra.

Meus amigos e minhas amigas, com o meu fraterno abraço, estamos juntos, vamos à luta, porque isso vai passar.