A presidente da Comissão de História, Sociologia e Antropologia do Direito do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Bruna Martins, prestigiou em nome da entidade a solenidade de posse do consócio Fabio de Sousa Coutinho na Academia Carioca de Letras (ACL). Presidida pelo poeta e ensaísta Adriano Espínola, a cerimônia ocorreu nesta quarta-feira (10/6) na sede da Academia, instalada no prédio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Centro do Rio de Janeiro.
O evento marcou a primeira sessão da entidade em seu ano centenário, celebrado em 2026, reunindo acadêmicos, convidados e representantes de importantes instituições culturais e jurídicas do País. Fabio de Sousa Coutinho, que integra o IAB há 48 anos, passa a ocupar a cadeira 23 da ACL, sucedendo o acadêmico Omar da Rosa Santos.
“A posse reafirmou o compromisso da instituição, que completa 100 anos de existência, com a preservação da memória literária brasileira e a valorização do livro como instrumento permanente de formação cultural e humanística”, comentou Bruna Martins.
Compuseram a mesa de honra o primeiro-secretário da Academia, Paulo Roberto Pereira; o senador constituinte e membro benemérito do IAB Bernardo Cabral; o primeiro-secretário da Academia Brasileira de Letras (ABL), Antonio Carlos Secchin, que também celebrava aniversário na data, além dos acadêmicos Edir Meirelles, Eduardo Santana e Elisa Lobo.
Recebido pela acadêmica Miriam Halfim, responsável pela saudação oficial, Fabio de Sousa Coutinho assumiu a cadeira cujo patrono é o historiador e médico José Vieira Fazenda, uma das figuras mais importantes da memória cultural carioca. Em seu discurso, o novo acadêmico destacou a coincidência simbólica da posse ocorrer no Dia de Camões, associando a data aos conceitos de perenidade e sincronicidade, temas que atravessaram sua fala.
Ao abordar sua formação intelectual, Fabio Coutinho destacou a influência de escritores como Manuel Antônio de Almeida, Joaquim Manuel de Macedo, Afrânio Peixoto, Jorge de Lima, João Guimarães Rosa, Nélio Machado, Moacyr Scliar, Ronaldo Corrêa de Brito, Miguel Torga e António Lobo Antunes. Chamou atenção para o fato de muitos desses autores manterem vínculos com as Ciências Biológicas ou com a Medicina, área que frequentemente dialoga com sua trajetória de leitor e bibliófilo.
Ao encerrar sua fala, Fabio de Sousa Coutinho evocou a poesia como celebração da inteligência e da sensibilidade humanas, definindo a Literatura como uma verdadeira “festa do intelecto”. Em tom de gratidão, parodiou um verso de Vinicius de Moraes, “De tudo, à gratidão serei atento”, adaptando o sentimento ao percurso que o conduziu à Academia Carioca de Letras.