Na visão da filósofa brasileira Scarlett Marton, a inteligência artificial representa um novo abalo ao ego humano ao reproduzir capacidades como linguagem e criação. É a ideia chamada de “quarta ferida narcísica”, apresentada pela intelectual durante o encerramento do I Encontro Internacional de Ética e Filosofia Política – Atos de fala e autoria: limites e possibilidades da Inteligência Artificial Generativa na produção textual e de imagem, realizado na última sexta-feira (27/3), na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), com apoio do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).
O ponto alto do encerramento foi a palestra magna de Scarlett Marton, professora titular da Universidade de São Paulo (USP) e referência nacional e internacional no pensamento de Nietzsche, que apresentou uma crítica contundente à ciência contemporânea. A autora denunciou sua submissão aos interesses de mercado, com a transformação do conhecimento em instrumento de lucro e poder tecnológico, além da crescente privatização da pesquisa, em prejuízo do bem comum e da transparência.
Marton destacou a submissão da IA aos interesses de mercado, com a transformação do conhecimento em instrumento de lucro e poder tecnológico, além da crescente privatização da pesquisa, em prejuízo do bem comum e da transparência.
O evento reuniu especialistas das áreas de Tecnologia da Informação, Direito e Filosofia, destacando a necessidade de pensar a tecnologia não apenas como ferramenta técnica, mas como elemento que redefine a condição humana e os valores sociais. Na ocasião, o IAB foi representado pelo consócio Marcelo José das Neves. Todas as sessões do congresso estão disponíveis no canal oficial da Equipe de Audiovisual da Unirio no YouTube.