Gestão Rita Cortez

2025/2028

Presidente do IAB aponta prejuízos sociais em PL que cria exceções à gratuidade de despesas processuais

A proposta de criação de exceções à gratuidade de despesas processuais em primeiro grau foi duramente criticada pela presidente nacional do Instituto dos Advogados (IAB), Rita Cortez, que apontou prejuízos sociais graves na efetivação da medida. A posição da advogada foi firmada na audiência pública Diga Não ao PL 3.191/2019 – em defesa da gratuidade e do acesso à Justiça nos Juizados Especiais Cíveis. O encontro virtual foi promovido pelo Conselho Federal da OAB nesta segunda-feira (23/3) e reuniu representantes da advocacia, especialistas e integrantes da sociedade civil para debater os impactos da proposta legislativa sobre o acesso da população ao sistema de Justiça.

Durante a audiência, Rita Cortez, que também é conselheira federal da OAB pelo Rio de Janeiro, alertou para os impactos sociais da proposta. “O que está em discussão é o fim da gratuidade e a criação de barreiras econômicas ao jurisdicionado, o que afeta diretamente os grupos mais vulneráveis. São milhares de brasileiros que podem ser excluídos do acesso à Justiça”, afirmou a advogada.

Conduzida pela presidente da Comissão Especial de Juizados Especiais do CFOAB, Andreia Furtado, a iniciativa destacou preocupações da classe jurídica com o Projeto de Lei 3.191/19, especialmente quanto às possíveis restrições à gratuidade nos Juizados Especiais — instrumento considerado essencial para assegurar o amplo acesso à Justiça, sobretudo às camadas mais vulneráveis da sociedade. “Precisamos dialogar com os parlamentares para que esse projeto não prospere e para que possamos, ao contrário, fortalecer e aperfeiçoar o sistema dos juizados”, afirmou Furtado.

Ao longo da audiência, foram discutidos os possíveis efeitos do projeto e a importância da preservação da ampla acessibilidade a esse modelo de Justiça, reconhecido pela celeridade e simplicidade na solução de conflitos. Com base nas contribuições apresentadas, a Comissão elaborará um documento com posicionamento pela não aprovação do PL, a ser encaminhado à Diretoria do CFOAB para subsidiar uma nota técnica da entidade. Andreia Furtado também anunciou a criação de um grupo técnico para aprofundar a análise da matéria, convidando os participantes da audiência a integrarem a iniciativa.

A presidente da OAB/PE, Ingrid Zanella, ressaltou que o projeto apresenta vícios de inconstitucionalidade. “Entendemos que o PL fere o direito de acesso à Justiça, relativiza a gratuidade e compromete princípios como a celeridade, a simplicidade e a ausência de burocracia, essenciais para que o cidadão tenha seu direito efetivamente protegido”, pontuou.

Para o diretor do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon), Thiago Fujita, o projeto impacta diretamente as relações de consumo. “Grande parte das demandas dos Juizados Especiais envolve o direito do consumidor. A criação de obstáculos ao acesso à Justiça compromete não apenas o acesso ao Judiciário, mas também a efetividade dos direitos materiais”, disse.

A presidente da Associação Brasileira de Procons (Procons Brasil), Renata Ruback, também destacou o caráter de retrocesso da proposta. “Trata-se de um grande retrocesso no acesso à Justiça e na defesa do consumidor. Os Juizados Especiais são um dos principais instrumentos de democratização do sistema de Justiça brasileiro”, destacou.

(Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB Nacional.)

Cursos

Eventos

Webinar
Papo com o IAB