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2025/2028

Ex-presidentes do IAB lamentam morte de Marcelo Cerqueira, que comandou a entidade em 2000

Marcelo Cerqueira

A morte do jurista Marcelo Cerqueira, ocorrida neste sábado (28/2), em decorrência de uma pneumonia seguida de infecção generalizada, foi lamentada por ex-presidentes do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB). Cerqueira comandou a entidade entre 2000 e 2002, da qual foi membro por 50 anos e onde também ocupou cargos na Diretoria e no Conselho Superior. Em 2022, a Casa de Montezuma o homenageou com a Medalha Levi Carneiro, destinada aos associados com mais de 30 anos de filiação e que prestaram relevantes contribuições às atividades desenvolvidas pelo Instituto.

“Marcelo Cerqueira foi um exemplo de exercício da advocacia e de defesa da democracia. Como advogado e congressista, marcou a vida pública brasileira de maneira indelével, deixando-nos exemplos que jamais serão esquecidos. Nosso Brasil está carente de pessoas como ele, particularmente quando nos deparamos com a vivência atual dos protagonistas da nossa vida política”, afirmou Sérgio Ferraz, presidente no biênio 1984-1986.

Da esq. para a dir., Técio Lins e Silva e Sérgio Ferraz

Técio Lins e Silva, que comandou o IAB por quatro anos (2014-2018), contou que conhecia Cerqueira muito bem e há muito tempo, desde os anos de chumbo. “Estivemos juntos na resistência à ditadura, no Ministério da Justiça da Nova República, na doença e na vida. Ele sofreu muito. Não sei como aguentou tanto! Sofreu mais do que podia, coitado. Sua morte é daquelas típicas sobre a qual dizemos: ‘descansou’”, comentou.

Já Sydney Sanches, o último presidente do Instituto antes da assunção da atual gestão, afirmou que Cerqueira representou a resistência democrática e teve uma trajetória como advogado marcada pela defesa de perseguidos políticos, o que demonstra seu legado e centralidade para construção da democracia brasileira: “Uma liderança política e espelho humanista para o momento em que a intolerância e os ataques à democracia são globais. Emprestou seu brilho à presidência do IAB, com um mandato que deve ser lembrado como modelo para aliança inquebrantável de nossa instituição com a defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito. Sentiremos a falta desse grande brasileiro”.

Da esq. para a dir., Henrique Maués, Rita Cortez, Maria Adélia Campello e Sydney Sanches

O dirigente da Casa de Montezuma entre 2009 e 2010, Henrique Maués, também lembrou do colega como um defensor intransigente do Estado Democrático de Direito, que fez da resistência à ditadura uma prioridade absoluta. “Pagou por isso o preço do exílio forçado e dos meses de cárcere. Em dias difíceis, marcados por uma polarização que tantas vezes obscurece a razão, a ausência de Marcelo será sentida. Fará falta sua serenidade firme, sua confiança nas instituições, sua crença de que a democracia não é apenas um regime, mas um dever cotidiano”, disse.

Maués também lembrou do carinho institucional que Cerqueira tinha pelo IAB: “Apesar de um currículo vasto e de uma trajetória pública que atravessa momentos decisivos da história do País, gostava de dizer, com um sorriso contido, que sua única credencial era ter sido presidente do IAB. E dizia isso com um orgulho sereno, raro nele, porque sabia que a maior virtude do sábio é a prudência. Para Marcelo, ter presidido o Instituto bastava. O IAB era mais que um título: era pertencimento, era história, era compromisso”.

Primeira mulher a presidir o Instituto, Maria Adélia Campello (biênio 2006-2008) celebrou a trajetória exitosa do advogado, político, professor e autor de obras jurídicas e literárias Marcelo Cerqueira. “Ele tinha a leveza e o humor que fizeram-no querido por muitos, a inteligência aguda e o preparo técnico que lhe trouxeram a admiração de tantos outros. E foi, em especial, um autêntico carioca do Grajaú, torcedor do América e da Mangueira, com amigos de variados matizes e instâncias. Respeitoso, refinado, íntegro, o autor de O sapato de Humphrey Bogart sabia ser sensível, delicado e compassivo. Uma pessoa caleidoscópica, que após 30 anos de amizade e mútuo afeto deixará uma enorme lacuna”, enfatizou a advogada.

Atual presidente do IAB, Rita Cortez também prestou homenagem a Cerqueira, lembrando que o nome do advogado permanecerá gravado na história da luta pela democracia no Brasil. Segundo ela, o colega foi um incansável profissional dedicado à advocacia, ao magistério e à vida pública. Cortez lembrou que, à frente do IAB, Cerqueira se destacou como um dos presidentes mais atuantes da instituição, sempre guiado pelo compromisso com a justiça e a liberdade.

“Desde os tempos de estudante, enfrentou a ditadura militar com coragem e talento, tornando-se referência de resistência e dignidade. Marcelo nos deixa a responsabilidade de prosseguir sua luta, inspirados por seu exemplo, na busca por um mundo mais justo e humano. Foi um grande amigo, um companheiro leal e um militante valoroso, cuja memória seguirá viva em nossos corações e em nossa história”, afirmou Cortez.

 

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