Sábado, 20 Novembro 2021 06:38

Presidente do IAB defende reparação da escravidão no Dia Nacional da Consciência Negra 

“Verdade e memória têm sido o mantra do IAB, quando falamos dos alicerces históricos e dos fundamentos jurídicos na busca da reparação da escravidão.” A afirmação foi feita pela presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, neste sábado (20/11), data da celebração do Dia Nacional da Consciência Negra. A advogada trabalhista acrescentou: “Neste dia especial, vamos somar o ativismo das mulheres e dos homens pretos, garantindo-lhes voz, mas, sobretudo, visibilidade”. Instituído pela Lei 12.519/2011, o Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro por ter sido a data da morte, em 1695, de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, que se situava entre os estados de Alagoas e Pernambuco.  
O card comemorativo produzido pelo IAB para a efeméride destaca a figura de Esperança Garcia, escrava que vivia no Piauí. No dia 6 de setembro de 1770, ela escreveu ao governador do estado, denunciando os maus-tratos que sua família sofria. Por conta da carta, considerada a primeira petição escrita por uma mulher na história do Piauí, Esperança Garcia foi reconhecida pela OAB/PI, em 2017, com o título simbólico de primeira advogada do estado.  

“O Dia Nacional da Consciência Negra, nesses tempos, tem que ser voltado para a concretização da reparação por todo o período da escravidão no Brasil”, defendeu o presidente da Comissão de Igualdade Racial do IAB, Humberto Adami. A advogada Edmée da Conceição Ribeiro Cardoso, membro da comissão, disse: “Diuturnamente, somos vetores de transformação para a busca de uma sociedade mais justa e igualitária; travamos uma luta que vem de longos anos”.  

A secretária-adjunta eleita da OAB/RJ Mônica Alexandre Santos também se manifestou: “Fui recém-eleita a primeira mulher negra a ocupar a diretoria da seccional, uma reparação importante não só para a advocacia, mas para toda a sociedade, já que somos uma instituição que luta pela justiça e pela democracia”. Membro da comissão do IAB, Euclides Lopes afirmou: “Precisamos que a consciência negra seja comemorada todos os dias, pois o Brasil é um país mestiço, fruto do caldeamento de três raças ou etnias: o índio nativo, o branco europeu e o negro africano".