Quarta, 12 Maio 2021 22:08

‘O movimento sindical tem que defender a democracia e ir além das questões corporativas’, diz Rita Cortez 

A convite da Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (Abrat), a presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, integrou nesta quarta-feira (12/5) a mesa de honra virtual na abertura do VI Encontro de Direito Sindical e fez palestra no painel sobre o tema Não toquem em meu companheiro. “O movimento sindical tem que defender a democracia e ir além das questões corporativas, pois a solidariedade da classe operária é fundamental na luta pelo respeito à Constituição Federal e pela preservação do estado democrático de direito”, afirmou a advogada trabalhista Rita Cortez. Aberto pelo presidente da Abrat, Otávio Pinto e Silva, o encontro, que tem como tema central O sindicalismo nascido do ventre da luta, se estenderá até sexta-feira (14/5).  
Também integraram a mesa de honra virtual o ex-presidente da Abrat e presidente da Comissão Nacional de Direitos Sociais da OAB, Antônio Fabrício Gonçalves; a diretora de Eventos da Abrat, Cristina Targino, e Jane Calixto, integrante da Comissão Nacional de Prerrogativas da Abrat. O primeiro painel foi iniciado após a transmissão do documentário Não toquem em meu companheiro, da diretora Maria Augusta Ramos. O filme reconstitui a história de luta dos empregados da Caixa Econômica Federal (CEF), desde a greve dos bancários deflagrada em 1991, em protesto a centenas de demissões.  

Para Rita Cortez, “a maior virtude o filme é o paralelo traçado entre os governos Collor e Bolsonaro”. Segundo a advogada trabalhista, há uma identidade entre os projetos econômicos implantados nos dois governos. “Ambos têm caráter neoliberal, sendo que o de Collor se destacou pela promoção das privatizações e a flexibilização de direitos trabalhistas, e o atual está marcado pelos retrocessos decorrentes das reformas trabalhista e previdenciária, que suprimiram direitos consagrados”, afirmou Rita Cortez.   A presidente do IAB apontou ainda o que considera como outro ponto em comum entre os dois governos: “Repete-se a busca pelo desmantelamento do Estado social, em prol do Estado mínimo e da acumulação extrema de capital, em detrimento da força de trabalho, gerando mais pobreza e desigualdades sociais”. Também participaram do painel a cineasta Maria Augusta Ramos, a diretora do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Ideclatra), Miriam Gonçalves, e a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Juvandia Moreira. O primeiro dia do evento foi encerrado com a conferência sobre Mulheres em movimento: lutas sindicais por direitos, voz e vida, feita pela desembargadora Sayonara Grilo, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1).

Nos dois próximos dias de evento serão discutidos os temas O feminismo e o movimento sindical – juntos ou separados?, Profissional de aplicativo: nova categoria ou velha exploração, Decisões judiciais que criminalizam os movimentos de greve – lawfare e É preciso nascer um novo movimento sindical?.