Terça, 11 Fevereiro 2020 17:01

‘Eduardo Seabra Fagundes é um símbolo da luta da advocacia por liberdade’, afirma Rita Cortez

Da esq. para a dir.,  Marta Ayres da Cruz Athaíde, Luciano Bandeira, Rita Cortez, Felipe Santa Cruz e Bernardo Cabral Da esq. para a dir.,  Marta Ayres da Cruz Athaíde, Luciano Bandeira, Rita Cortez, Felipe Santa Cruz e Bernardo Cabral
O edifício histórico da OAB no Centro do Rio onde, no dia 27 de agosto de 1980, uma carta-bomba aberta por Lyda Monteiro da Silva levou à morte a secretária do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), passou a ter o nome do destinatário do atentado: Eduardo Seabra Fagundes. A homenagem póstuma ao ex-presidente, que também presidiu o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e morreu aos 83 anos, em novembro de 2019, foi prestada pelo IAB, o CFOAB e a OAB/RJ, nesta segunda-feira (10/2). No plenário histórico do IAB, na sessão solene que antecedeu o descerramento da placa, a presidente nacional do IAB, Rita Cortez, afirmou: “Mais do que ex-presidente do IAB e da OAB, Eduardo Seabra Fagundes é um símbolo da luta da advocacia por liberdade e pelo resgate da democracia”
Rita Cortez falou também sobre as agressões à advocacia. “O homenageado, junto com outras lideranças da advocacia, atuou corajosamente no enfrentamento do autoritarismo e foi atacado, como sempre acontece quando os advogados e advogadas saem em defesa do estado democrático de direito e da cidadania”, disse. O presidente do CFOAB, Felipe Santa Cruz, também fez uso da palavra. “Este prédio faz parte da história da advocacia brasileira, por ter sido um espaço de resistência dos advogados ao autoritarismo”, afirmou.
 
O plenário histórico do IAB lotado na homagem ao ex-presidente


Felipe Santa Cruz destacou a importância das homenagens. “Celebrar homens que resistiram ao arbítrio e ajudaram a construir a Constituição cidadã de 1988, como Eduardo Seabra Fagundes, é uma obrigação moral”, exaltou. De acordo com o presidente do CFOAB, uma das lutas atuais  da advocacia é a preservação das suas prerrogativas profissionais. “Após muitos embates, conseguimos aprovar a criminalização da violação das nossas prerrogativas”, comemorou o advogado, sendo aplaudido pelo plenário lotado.

Também integraram a mesa de honra o presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira; o ex-senador e membro do Conselho Superior do IAB Bernardo Cabral, que sucedeu Eduardo Seabra Fagundes na presidência da OAB Nacional, e a viúva do homenageado, Marta Ayres da Cruz Athaíde. Ela representou a família e participou do descerramento da placa afixada no hall de entrada do prédio, na Avenida Marechal Câmara, 210, onde estão instaladas as sedes do IAB e da Escola Superior da Advocacia da OAB/RJ.
 
Marta Ayres da Cruz Athaíde e Bernardo Cabral descerram a placa


Luciano Bandeira ressaltou a “generosidade” de Eduardo Seabra Fagundes e falou sobre o papel da advocacia. “Temos a missão histórica de promover o processo civilizatório, que impede o autoritarismo e garante o funcionamento do estado democrático de direito”.

Estavam presentes os ex-presidentes do IAB Ricardo Cesar Pereira Lira, Maria Adélia Campello Rodrigues Pereira e Fernando Fragoso; os ex-presidentes do CFOAB Claudio Lamachia, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, Ophir Cavalcante Junior, Cezar Britto e Marcello Lavenère Machado, e todos os presidentes de Seccionais da OAB e conselheiros do CFOAB.