Insubstituível calor humano

O ano de 2020 ficará marcado para sempre como um dos mais tristes da história da humanidade. Somente no Brasil, mais de sete milhões de pessoas foram contaminadas e cerca de 187 mil vidas foram levadas pela pandemia até este momento em que um novo ano se aproxima. Milhares de famílias estão destruídas. As perdas são irreparáveis. 

Muitas vidas poderiam ter sido salvas se o presidente da República e seus seguidores não ignorassem a ciência, menosprezassem a vida e estimulassem a população a desrespeitar as medidas sanitárias recomendadas pelas autoridades médicas. O nosso País, notório ocupante das últimas posições nos rankings referentes a investimentos em saúde e educação, subiu ao pódio e se mantém firme, para a nossa profunda tristeza e indignação, como o segundo do mundo em número de mortos pela Covid-19. 

A indignação decorre do repúdio à conduta daqueles que deveriam se dedicar a minimizar os gravíssimos danos causados pela doença, mas preferiram priorizar seus objetivos políticos e econômicos, em detrimento do salvamento de milhares de vidas humanas. Mais do que atos de irresponsabilidade, tais comportamentos foram, na verdade, condutas criminosas. 

Respeitando as recomendações sanitárias feitas pelos cientistas, o IAB se adaptou tecnologicamente à realidade imposta pela pandemia e não interrompeu a sua missão, quase bicentenária, de discutir caminhos para o País, contribuir para o aperfeiçoamento do ordenamento jurídico e proteger o estado democrático de direito. Mantivemos virtualmente as nossas atividades acadêmicas e culturais, e apoiamos movimentos deflagrados em defesa da democracia e da vida. 

A saudade do convívio no nosso plenário histórico é muito grande. Que em 2021, com a chegada da vacina, possamos voltar a promover educação jurídica com proximidade, saúde, paz e o insubstituível calor humano. 

 
Rita Cortez