Sábado, 13 Julho 2019 00:33

Jorge Folena afirma em Congresso da UNE que ‘não existe democracia com pobreza extrema’

​​​​​​​Da esq. para a dir., Jorge Folena, Aldo Arantes e Sérgio Muylaert ​​​​​​​Da esq. para a dir., Jorge Folena, Aldo Arantes e Sérgio Muylaert

O diretor de Relações com o Interior do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Jorge Folena, representou a entidade nesta sexta-feira (12/7), em Brasília, no 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), que está sendo realizado na Universidade de Brasília (UnB) e se estenderá até domingo (14/7). “É impossível imaginar a existência do estado democrático de direito num País em que, em 2018, 60 mil pessoas foram assassinadas, onde há 32 milhões de pessoas sem trabalho formal, 13 milhões de desempregados e quem considere natural o trabalho infantil”, afirmou Jorge Folena, no painel sobre A Constituição brasileira e o estado democrático de direito sob ataque. De acordo com o advogado, “não existe democracia com pobreza extrema, nem pode haver Estado de Direito em um país tão rico, mas com um povo tão empobrecido em decorrência da injusta distribuição da riqueza”.

O tema também foi debatido pelo consócio do IAB Aldo Arantes, ex-presidente da UNE e representante dos Advogados pela Democracia, Justiça e Cidadania (ADJC); e pelos representantes da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Tânia Maria de Oliveira, e da Associação dos Procuradores Democráticos (APD), João Paulo de Faria Santos. Na sua exposição, Jorge Folena também disse: “Embora imaginássemos haver uma Constituição cidadã, agora vemos que ela não foi capaz de assegurar nem garantir os direitos mínimos da verdadeira cidadania republicana”.

Segundo o diretor do IAB, “o País convive pacificamente com a crueldade, desde a violência extremada perpetrada em Canudos até os autos de resistência forjados nas favelas das periferias das grandes cidades nos dias atuais”. De acordo com Folena, “diante de tantos retrocessos e barbaridades, o IAB, com os seus posicionamentos jurídicos, tem procurado mostrar que existe uma luz no fim do túnel, que pode nos levar ao caminho para o resgate da democracia e do verdadeiro Estado de Direito”. 

O advogado concluiu a sua explanação dizendo acreditar num futuro melhor para o Brasil, por meio do engajamento dos estudantes nas grandes lutas em defesa dos interesses do País. “As duas últimas manifestações de massa, ocorridas em maio, foram expressivas e demonstraram que contamos com uma juventude vanguardista, que luta por todos, e não só por interesses corporativos”, afirmou.

Também compareceu ao evento o consócio e ex-vice-presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça Sérgio Muylaert.