Quarta, 10 Julho 2019 13:43

Deborah Prates critica exclusão dos obesos do conceito comum sobre acessibilidade

Da esq. para a dir., Camilla de Chermont Prochnik Estima, Deborah Prates, Marcia Dinis, Karine Ferreira de Moura, Ludimila Carvalho de Albuquerque e Allyne Turano Da esq. para a dir., Camilla de Chermont Prochnik Estima, Deborah Prates, Marcia Dinis, Karine Ferreira de Moura, Ludimila Carvalho de Albuquerque e Allyne Turano
“As pessoas associam acessibilidade somente aos portadores de deficiência, quando, na verdade, a questão inclui muitas outras, como as que sofrem de mobilidade reduzida, em razão de sua obesidade.” A afirmação foi feita pela presidente da Comissão da Mulher do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Deborah Prates, nesta terça-feira (9/7), no plenário do IAB, no seminário sobre Corpos e acessibilidade. O evento foi aberto pela diretora do IAB e membro da Comissão de Direitos Humanos Marcia Dinis. “O avanço nos debates sobre direitos humanos nos permite, hoje, estar discutindo padrões de normalidade e preconceitos relacionados aos corpos, como os que atingem pessoas gordas e transexuais”, disse Marcia Dinis.
O tema foi abordado na palestra feita pela advogada especialista em Direito de Família Ludimila Carvalho de Albuquerque. “O feminismo foi o movimento que começou a trazer à tona outras questões, como a gordofobia, que também diz respeito à acessibilidade, pois as pessoas gordas, que é como prefiro chamar as que têm mobilidade reduzida, enfrentam dificuldades decorrentes da falta de cuidado para atendê-las”, afirmou. De acordo com Ludimila Carvalho de Albuquerque, a legislação segundo a qual 2% dos assentos em bares, teatros, restaurantes e cinemas devem ser adaptados para as pessoas obesas não é cumprida.

Na sua intervenção, a nutricionista Camilla de Chermont Prochnik Estima afirmou: “Sendo nutricionista e gorda, sofro tanto o estigma pessoal quanto profissional”. Após falar do descrédito profissional decorrente do preconceito, como se a sua condição física a desqualificasse a prestar orientação nutricional, Camilla Estima criticou duramente “a busca das pessoas gordas, principalmente, as mulheres, pelo padrão de beleza imposto pelo mercado”. 

Segundo ela, “a gordofobia é consequência de um modelo físico pautado na magreza, no qual não cabem todas as pessoas”. De acordo com a nutricionista, “as pessoas, além sofrer com a gordofobia, acabam sendo vitimadas por outras doenças, como a depressão, por não conseguirem emagrecer”, alertou a nutricionista.

A feminista e empreendedora Allyne Turano focou sua palestra nos níveis variados de preconceito. “Mesmo não sendo muito gorda, sou atingida pela gordofobia, que se dá em vários níveis, pois, da mesma forma que uma pessoa negra que tem a pele mais escura sofre mais com o racismo do que outros negros, o mais gordo passa pela mesma situação”, disse.

Após as palestras, houve debates, mediados pela 2ª vice-presidente da Comissão da Mulher, Karine Ferreira de Moura.