Sexta, 08 Março 2019 19:43

Nota em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Eleita segunda mulher advogada a exercer a presidência do IAB – respeitada instituição jurídica cujos pilares estão assentados historicamente em ideias e concepções patriarcais e, consequentemente, conservadoras –,  ao mesmo tempo que abraço uma profissão de perfil marcadamente masculino,  neste dia em que comemoramos as conquistas femininas, posso dizer que galgar esse cargo e função na bicentenária Casa de Montezuma não deixa de ser uma façanha. 
Estou certa que as ilustres mulheres que me acompanham na diretoria do IAB e nas presidências das comissões temáticas, dividindo os encargos das atividades institucionais, não pensam diferente. Certa de ser a porta-voz desse seleto grupo feminino de advogadas, professoras, magistradas, procuradoras e defensoras públicas, minha mensagem hoje, no entanto, é dirigida às anônimas. As que sofrem rotineiramente com todo o tipo de violência.

A mensagem é simples, sem clichês ou frases de efeito.  Dirijo-me a essas mulheres, simplesmente, para dizer que a nossa luta se confunde com a que travamos de forma intensa na defesa dos direitos humanos. É, em suma, respeitar e ser respeitada. Nesse movimento universal, contamos com o apoio de homens, negros, indígenas, ciganos, portadores de deficiência, enfim, todos os marginalizados e excluídos. Somos muitos, quando unidos num único propósito.

Não é o nosso espírito maternal ou a nossa sensibilidade feminina que nos autorizam a afirmar que, numa sociedade de tantos retrocessos, faz bem pensar em mudanças radicais pela educação. Educação de qualidade é a nossa aposta para o futuro. Hoje, a proposta é levantar a nossa voz em defesa dos direitos conquistados, das cotas, das medidas que reduzam os níveis de assédio e violência, de garantir direitos previdenciários e trabalhistas. 

Sempre é bom ressaltar que o Dia Internacional da Mulher nasceu para lembrar e marcar a luta trabalhista de um grupo de operárias por melhores condições de vida e trabalho. 

Não precisamos de mais mártires como Marielle. Precisamos contribuir, com empenho e perseverança, para a formação de um novo pensamento, de uma nova cultura plenamente igualitária, que coloque o ser humano – incluídas nós, mulheres – no centro dos planos econômicos, sociais e políticos, no Brasil e no mundo. 

Nós, mulheres, homens, advogados, advogadas, todos os nossos associados e associadas do IAB estamos fazendo a nossa parte.

Viva 8 de março, Dia Internacional da Mulher!

Rita Cortez
Presidente nacional do IAB